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A Mostra de Teatro Cidade Livre Latino Americana faz a sua terceira edição


A MOSTRA - Mostra de Teatro Cidade Livre - lança a programação de espetáculos, diálogos e encontros de sua terceira edição, que acontece de 17 a 24 de março de 2018. Serão doze montagens com a participação de artistas de vários países, como Argentina, Espanha, Colômbia, Bolívia e Brasil. O Encontro de Teatro Comunitário mediado pelo ator e pesquisador da Universidade Federal de Uberlândia Drº Narciso Telles, faz a aberturada MOSTRA no dia 17 de março, e o encerramento fica a cargo da releitura do clássico de Shakespeare Romeu e Julieta da Cia. Talagadá (SP), com direção de Valner Cintra.


Todas as ações da MOSTRA acontecem no Teatro de bolso Cidade Livre e serão gratuitas.


A terceira edição da Mostra de Teatro Cidade Livre é uma das ações que compõem o projeto de dinamização de espaços culturais “A arte pulsando no interior!” e tem a apresentação do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás, SEDUCE e Governo de Goiás, realização da Associação Sociocultural Cidade Livre/ Teatro Cidade Livre, apoio da Secretaria de educação e cultura, Secretaria Executiva de Cultura e Prefeitura de Aparecida de Goiânia.


Três espetáculos internacionais são destaques da programação, El mundo de Dondo da Companhia Julia Sigliano da Argentina, El espectro que soy yo da Vendimia Teatro da Colômbia e o solo Dulcineia toma la palavra de Valle Hidalgo, Espanha.


MOSTRA: Diálogos e encontros


O Encontro Latino Americano de Teatro Comunitário inaugura a MOSTRA com trocas de experiências sobre a atuação de artistas e seus grupos junto as comunidades em que estão inseridos. Pensar a arte em comunidade na América Latina é um desafio enriquecedor, pois fortalece as discussões emergentes e descolonizadoras.

O Teatro Comunitário, levando em consideração sua resistência estética, poética e de conflitos sociais, traz presente a identidade cultural latente da comunidade, seus anseios, demandas e características particulares. O fazer teatral em comunidade traz as dimensões do sentimento de pertencimento ao espaço em que está inserido e as relações de afetividade entre as pessoas.


Na ocasião teremos a presença da artista Julia Sigliano (ARG), Carlos Araque (COL), e Takaiuna Correia (Ponto de Cultura Cidade Livre), esse encontro será mediado pelo professor da Universidade Federal de Uberlândia Dr Narciso Telles.


Por esse caminho, a III Mostra de Teatro Cidade Livre, com a intenção de romper barreiras entre espetáculo e espectador, aproximando o artista e sua obra do público com suas convicções, tem como outro eixo de formação os Diálogos – que acontecem após cada apresentação - com os grupos e artistas que compõem a programação.




MOSTRA de espetáculos

Espetáculos Convidados


Com direção de Manuel Mansilla, o espetáculo argentino El mundo de Dondo, da Companhia Julia Sigliano, traz para a cena os caminhos em que um bebê gestado faz para se perceber no mundo “...redondo e acolhedor dentro da panza da mama, um mundo giratório e desafiante fora”.

Dondo é o protagonista da apresentação. O público acompanhará o desenvolvimento do personagem e alguns dos momentos mais importantes do crescimento e aprendizado na infância. A atriz Julia Sigliano utiliza uma variedade eclética de recursos artísticos para contar a história de Dondo; marionetes de mesa, teatro de objetos, fantoches com uma haste, máscara e desenho ao vivo.


El espectro que soy yo consiste em um projeto de pesquisa-criação, do grupo colombiano Vendimia Teatro. Organizado como uma pesquisa no relacionamento vida-arte, ator-personagem, realidade-fantasia, mundo mágico mundo-real, a encenação busca uma estética que explora as relações existentes entre o público-participante e o artista-criador.


Com dramaturgia e direção de Carlos Araque Osorio, o processo de montagem da encenação é norteado a indagar a relação entre a pesquisa social e a criação teatral. Atualmente, vários projeto estão sendo realizados com temas como a relação entre teatro e história, filosofia e antropologia, a relação entre texto e ação, a diferença entre as várias propostas das artes cênicas ou a articulação entre a dramaturgia e a narrativa, El espectro que soy yo é uma contribuição a essas discussões.


Um solo feminino é o ponto de partida para Dulcineia toma la palavra espetáculo com a atriz e dramaturga Valle Hidalgo da Espanha. Vencedora de vários prêmios por atuação com circulação pela Colômbia, Venezuela, México, Costa Rica e Estados Unidos, o espetáculo dá voz à Dulcineia, pretendente de Dom Quixote.


Essa voz, muda no clássico de Cervantes vem átona, a partir da releitura da dramaturga, parte para a transformação em um trabalho no qual muitas mulheres são identificadas, porque veem seus sentimentos e necessidades expressas nele.


Espetáculos Selecionados


Além dos espetáculos convidados, a Mostra, pela primeira vez abriu chamada pública para seleção de espetáculo nacionais. Divido em três módulos, espetáculos aparecidenses, espetáculos goianos e espetáculos de fora do estado, mais de 105 espetáculos de companhias e grupos de 13 estados da federação foram inscritos nessa terceira edição da mostra.


No país das letras relata a história de um menino pobre, que deveria, mas não está na escola, pois precisa vender jornais na rua para ajudar em casa. De forma lúdica, os personagens “Jornal”, as “Letras”, o “ Livro Velho de Música” e tantos outros, tentam envolver a criança para que ela se encante com o mundo imaginário dos livros.


O camelô, brincante de reisado, bumba-meu-boi, guerreiro de folias, mágico e ventríloquo Chico Simões, apresenta o palhaço, Mateus da Lele Bicuda. Formado nas feiras, festas e festivais pelo mundo, contador de histórias e causos, este menestrel contemporâneo promete benzer e bendizer o público presente que terá notícias e participará nas cenas que contam histórias de amor e de guerra nas terras de São Saruê, onde vive tudo que se imagina e a máscara mais revela que oculta.


A Plástica (Des)necessária, da Sem Nome Cia. de Teatro (GO), é a história de uma mulher que, cansada de sofrer preconceitos no seu dia a dia, mesmo estando feliz com seu corpo, decide realizar uma plástica remodeladora.


A construção da narrativa cênica se dá a partir do dialogo dessa personagem consigo mesma e com as suas lembranças. Daí decide modificar seu corpo e então é surpreendida com dois rapazes que tenta demovê-la desta ideia passando a elogiá-la e repudiando quaisquer decisões suas sobre a modificação. A história vai sendo estruturada, por fragmentos que misturam delírio, desejo e realidade.


O ator, diretor e pesquisador, Narciso Telles traz à terceira edição da Mostra um espetáculo de grande potência cênica. Potestade é uma das mais importantes obras do dramaturgo, ator e psicanalista argentino Eduardo Pavlovsky. A narrativa é conduzida por um só personagem que desvela um dos traumas sociais mais significativos da história recente na Argentina: o roubo de crianças durante a ditadura.

A encenação foi desenvolvida a partir da premissa da possibilidade da intimidade e da cumplicidade com o espectador. O despojamento de cenografia e figurino buscam uma maior proximidade com o público. Negando a espetacularidade como elemento vinculante, temos na interpretação nosso elemento central.


Bule, chaleira, sapatos... objetos e marionetes faz de Achados e Perdidos um mergulho a singularidades do cotidiano. A bailarina Fernanda Boteiro e o cavalo Molina Campos manipulados pelo ator e bonequeiro Marcos Marrom compartilha momentos da vida do interprete por meio dos elementos em cena.


Com direção do paulista João Araújo Morpheus questões como Afinal, quem nunca brigou por amor? Se sentiu solitário? Perdido? Ou ainda não se encontrou plenamente? fazem parte do enredo de Achados e Perdidos da Cia. Teatro do Maleiro.


O cabra que matou as cabras da Cia. de Teatro Nu Escuro é uma livre adaptação da peça medieval francesa A Farsa do Advogado Pathelin, de autor desconhecido, mesclado com textos de cordéis nord estinos, esquetes de picadeiro, fábulas medievais, ditos populares e vários elementos da cultura popular brasileira.


Um advogado vigarista, que sobrevive dando pequenos golpes em seus clientes, se vê envolvido em um caso de assassinatos de cabras e bodes. Uma trama cheia de traições, trapaças e reviravoltas, onde uma esposa maliciosa engana seu marido advogado que engana um comerciante ganancioso que engana seu empregado que engana um juiz que quer enganar todo mundo.


Falar de temas tão pertinentes ao momento em que vivemos como: violência, intolerância, preconceito e discriminação em diferentes níveis e situações, para os quais a arte se faz tão necessária, seja como um artifício de fuga, engajamento político e social, ou, apenas, um modo lúdico de vingar a vida e o que a Cia. Talagadá (SP), por meio do Teatro de Formas Animadas, colocará em cena com uma releitura do clássico shakespeariano Romeu e Julieta.

Desse modo, buscou-se inspiração na vida e obra de Arthur Bispo do Rosário (1911 - 1989), negro, nordestino e pobre que foi diagnosticado como paranoico-esquizofrênico. Viveu a maior parte de sua vida internado num manicômio e sobreviveu tanto aos tratamentos invasivos da época quanto ao isolamento físico e moral ao qual era submetido. Com seu fazer criativo, bordando, justapondo materiais e ressignificando objetos, fez de sua loucura um modo de transcender sua existência num mundo paralelo, no qual, um dia também sonhou encenar Romeu e Julieta.

Tratando-se de uma obra para Rua, imagens, situações e figuras que compõem esse espaço também serviram como peças fundamentais e norteadoras para a concepção estética do espetáculo que se utiliza de uma linguagem híbrida, coexistindo em mesmo nível de importância elementos do teatro, artes visuais, música e ações performativas.


Assim, nessa interface do clássico de Shakespeare com o universo de Bispo do Rosário no espaço da Rua, propõem-se ao expectador, além de uma experiência cômica, lúdica e onírica, também uma reflexão política-social, na qual, mais que transcender por meio da arte o amor impossível dos protagonistas, pensar nas consequências dos atos que nós mesmos representamos na vida real, seja como “Capuletos” ou “Montéquios”.


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